Ayesa Digital adquire a Kuik para reforçar as suas capacidades de inteligência artificial
A operação integra na Ayesa Digital mais de 70 profissionais especializados em software e IA aplicada. O preço da aquisição não foi divulgado.
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PesquisarO aumento dos ataques com drones mais velozes está levando a Ucrânia e empresas da Europa e dos Estados Unidos a desenvolver interceptores capazes de alcançá-los. A velocidade e a disponibilidade desses sistemas são alguns dos desafios da nova defesa aérea.
A Rússia está utilizando cada vez mais drones de ataque com motores a jato, mais rápidos do que os modelos com hélice empregados anteriormente. A mudança está pressionando as defesas ucranianas e abriu uma nova frente de desenvolvimento para empresas de defesa da Ucrânia, da Europa e dos Estados Unidos: interceptores que não apenas detectem essas aeronaves, mas que também possam alcançá-las em voo.
O desafio é relevante para as empresas porque combina inovação acelerada, necessidades urgentes de aquisição e uma tecnologia submetida a testes em condições de combate. No entanto, as capacidades e os resultados descritos por militares, autoridades e fabricantes não equivalem, por si só, a uma avaliação independente de cada sistema.
Segundo o Business Insider, o Geran-5, o modelo mais recente dessa família russa, pode atingir cerca de 375 milhas por hora (aproximadamente 600 quilômetros por hora). O El País também situa sua velocidade máxima em torno de 600 quilômetros por hora. Essas aeronaves, com fuselagem estreita e motor turbojato, se parecem visualmente com mísseis de cruzeiro, embora sejam classificadas como drones.
A diferença de velocidade reduz o tempo disponível para detectar, acompanhar e interceptar o alvo. Também obriga a rever sistemas inicialmente concebidos para conter drones mais lentos e movidos a hélice. De acordo com o Business Insider, algumas unidades ucranianas já adaptaram seus interceptores e derrubaram vários Geran-5, mas as defesas continuam enfrentando uma proporção maior de ameaças a jato.
Os números de atividade e eficácia variam conforme a fonte e o período citado. A Força Aérea ucraniana informou, segundo o El País e o Business Insider, que 2.800 drones de ataque a jato foram lançados em agosto, em comparação com 350 em junho. O presidente Volodímir Zelenski afirmou que a Ucrânia derrubou 55% desses drones em setembro; o El País registra uma estimativa ucraniana de interceptação de até 60%. Para os modelos com hélice, autoridades ucranianas haviam situado regularmente a taxa acima de 90%. São dados atribuídos a autoridades ucranianas, não medições verificadas de forma independente nos documentos disponíveis.
Fabricantes ucranianos que desenvolveram uma primeira geração de interceptores estão trabalhando agora em versões mais rápidas. O Business Insider identifica, entre outros, o Sting S, da Wild Hornets, e o P1-SUN JetKiller, da SkyFall, e informa que ambos registraram abates em combate. Valerii Zarubin, diretor executivo da BlueBird Tech, empresa ucraniana que desenvolve um interceptor a jato, resumiu o desafio como uma adaptação necessária à propulsão e à velocidade das novas ameaças.
A atividade também se estende a empresas ocidentais. A francesa Alta Ares desenvolveu um interceptor para drones a jato depois que o Centro Conjunto de Análise, Treinamento e Educação OTAN-Ucrânia identificou a possibilidade de uma lacuna defensiva. O coronel ucraniano Volodymyr Gordiienko, responsável por um ramo de concepção de programas do centro, descreveu o trabalho como uma solução promissora em desenvolvimento e defendeu a antecipação às ameaças, em vez de esperar que a lacuna se concretize.
Na Europa, a lituana Granta Autonomy estuda uma versão a jato de seu interceptor atual; a checa LPP Holding trabalha para aumentar a velocidade de seu sistema JWI-4000, e a alemã Tytan Technologies desenvolve um interceptor a jato destinado a cobrir distâncias maiores e operar em maior velocidade. Nos Estados Unidos, a Perseus Defense está projetando um modelo mais potente para combater drones a jato. Seu diretor-executivo, Jason Cornelius, sustenta que o interceptor precisa ser mais rápido do que o alvo, e não apenas igualá-lo em velocidade. Segundo o Business Insider, a empresa planeja testar um protótipo antes do fim do ano.
O desafio não se limita a construir um aparelho mais veloz. Também exige comprovar sua eficácia, integrá-lo às defesas existentes e produzi-lo em quantidades suficientes. Na Ucrânia, Zelenski afirmou que 60 empresas locais trabalham em interceptores. Ao mesmo tempo, o analista militar ucraniano Oleksandr Kovalenko advertiu, em declarações citadas pelo El País, que os meios disponíveis — entre eles mísseis de curto alcance e sistemas portáteis de defesa antiaérea — são escassos para cobrir todo o espaço aéreo.
Os governos ocidentais começam a levar o interesse tecnológico para seus processos de aquisição. Luke Pollard, ministro britânico de Preparação e Indústria de Defesa, classificou os interceptores mais rápidos como uma prioridade para os próximos anos. O tenente-coronel Matt Keogh, responsável pela aquisição de tecnologia de drones para o Exército britânico, explicou que o programa Rapstone prevê a compra de interceptores e que o ministério estuda modelos a jato. Segundo o Business Insider, o programa busca soluções da indústria britânica e esperava decidir uma aquisição antes do fim do ano.
A expansão dessa tecnologia representa uma oportunidade para fornecedores, mas também traz incertezas próprias de um mercado de defesa em rápida evolução: as especificações precisam responder a ameaças que mudam, e os testes, as decisões de compra e os desdobramentos não garantem, por si só, resultados operacionais. O tenente-coronel americano Adam Scher, porta-voz da Força-Tarefa Conjunta Interinstitucional 401, observou que o desenvolvimento deveria se orientar pelos princípios físicos do voo e não depender apenas da modalidade de controle de um drone. A ideia aponta para a concepção de capacidades que continuem úteis à medida que os modelos de aeronaves evoluem.
A corrida, portanto, não envolve apenas fabricantes de drones e de interceptores. Também põe à prova a capacidade de governos e forças armadas de detectar mudanças rapidamente, validar soluções e transformar protótipos em sistemas disponíveis. Em um ambiente no qual a velocidade e o volume dos ataques podem mudar em poucos meses, essa capacidade de adaptação será tão importante quanto o desempenho anunciado de cada interceptor.
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