De fabricar um carro por equipe a montá-lo em movimento
Antes da linha de montagem, os trabalhadores se reuniam em torno de um veículo e colaboravam para completá-lo. A Ford mudou essa lógica: aproximou os componentes dos operários e dividiu a montagem em tarefas específicas e repetíveis. Assim, o carro avançava por diferentes estações, em vez de cada equipe construir uma unidade completa.
A transformação foi gradual. Segundo Momentos del Pasado, a Ford iniciou testes em abril de 1913 e experimentou o método na fabricação de magnetos. Seu relato indica que o tempo para montar essa peça caiu de cerca de 15 minutos para 5, enquanto a equipe designada para essa tarefa foi reduzida de 29 para 14 pessoas. Depois, a empresa ampliou o sistema para outros componentes e para o chassi.
Uma data importante, com divergências entre as fontes
Rankia situa em 7 de outubro de 1913 o início da montagem móvel do chassi na fábrica de Highland Park, Michigan. Descreve um sistema no qual uma corda e um guincho puxavam o chassi diante dos operários. Motorpasión, por outro lado, associa essa data à produção em linha na Piquette Avenue, em Detroit. Já Momentos del Pasado identifica a Piquette Avenue como o local onde o Modelo T nasceu, em 1908, e onde a Ford introduziu melhorias antes da transição.
As fontes, portanto, não coincidem plenamente sobre o local associado ao dia 7 de outubro nem sobre como datar cada etapa. Ainda assim, descrevem um processo de testes e ampliação progressiva da produção em movimento, e não uma inovação implantada de uma só vez.
Menos tempo por unidade e um preço mais baixo
A especialização das tarefas e o deslocamento das peças aceleraram a montagem. Rankia quantifica a mudança no chassi: em pouco mais de um ano, a montagem de um automóvel passou de 12 horas e meia para 93 minutos. Motorpasión também registra uma redução para 93 minutos, embora descreva uma sequência inicial diferente: de 12 horas para 6, depois para 3 e, por fim, para esse tempo.
A redução do tempo de produção contribuiu para baratear o Modelo T, embora os preços iniciais variem entre os artigos. Rankia informa um preço de 850 dólares em 1908 e de 260 em 1924; Motorpasión registra 825 dólares em 1908 e 260 em 1925. Ambos os relatos apontam para uma forte redução do preço ao longo dos anos, mas seus dados não permitem apresentar como indiscutível um único preço inicial ou o mesmo ano final.
Uma inovação construída sobre antecedentes e trabalho especializado
A Ford não começou do zero. Motorpasión observa que Ransom Olds havia patenteado um sistema de montagem em 1901 e atribui a fabricantes como Oldsmobile e Cadillac antecedentes importantes para a produção automobilística. A contribuição da Ford foi aperfeiçoar e ampliar o método em suas fábricas, com o trabalho dividido em operações simples e os componentes deslocados até os trabalhadores.
A mudança também reorganizou o trabalho. Segundo Motorpasión, a repetição das tarefas e o controle do ritmo de produção estiveram associados a uma alta rotatividade de pessoal. O artigo acrescenta que, em 1914, a Ford dobrou o salário diário de seus funcionários para 5 dólares e estabeleceu uma jornada de oito horas. Esse é um dado sobre a política da empresa registrado por essa fonte; ele não elimina as exigências nem a monotonia que o trabalho repetitivo podia implicar.
Para as empresas, o episódio ilustra como redesenhar o fluxo de materiais e delimitar tarefas pode aumentar a produtividade. Também lembra que a eficiência de um processo depende de sua organização do trabalho: acelerar a produção, por si só, não descreve a experiência de quem realiza o trabalho.