Compra e venda e arrendamento, muito acima de 2018
O mercado residencial espanhol chega às eleições gerais de 29 de novembro de 2026 com preços anunciados muito superiores aos de há oito anos e com menos habitações disponíveis, segundo uma análise do Idealista. Em setembro, a habitação usada anunciada para venda atingiu uma média de 2.930 euros por metro quadrado: mais 74,4% do que em junho de 2018 e 11,8% acima de setembro do ano anterior.
O registo de setembro ficou perto do máximo da série citada, atingido em julho, quando o preço chegou aos 2.933 euros por metro quadrado. A evolução também é visível no arrendamento: a média situou-se nos 15,1 euros por metro quadrado por mês, mais 45,2% do que em junho de 2018. Embora o valor de setembro tenha sido 0,4% inferior ao do trimestre anterior, continuava perto do máximo registado em julho, de 15,3 euros mensais por metro quadrado.
Estes valores descrevem preços anunciados, não necessariamente os montantes finais das operações de compra e venda ou dos contratos de arrendamento. Também não refletem, por si só, quanto paga cada agregado familiar: as médias nacionais ocultam diferenças entre cidades e habitações.
Menos anúncios e maior pressão da procura
A oferta de habitações anunciadas para venda caiu mais de 38% em Espanha entre o segundo trimestre de 2018 e o mesmo período de 2026, segundo o Idealista. As reduções foram especialmente acentuadas na Corunha, em Bilbau e em Vitória. Saragoça registou uma queda de 60%, enquanto em Madrid a descida foi de 16%.
Em paralelo, a procura relativa de compra e venda — medida com base nos contactos gerados pelos anúncios, de acordo com a cobertura dos dados do Idealista — aumentou mais de 300% no conjunto do país entre junho de 2018 e junho de 2026. Em Saragoça, a oferta para venda recuou 60%; em Málaga, a procura relativa cresceu 152% e, em Madrid, 84%.
O arrendamento também apresenta uma forte pressão da procura. O Idealista situa em cinco vezes o aumento da procura relativa nacional entre o segundo trimestre de 2018 e o mesmo período de 2026. Em Saragoça, a cobertura do Aragón Digital indica que essa procura se multiplicou por dez. Quanto à oferta de arrendamento, o Idealista refere descidas acentuadas em várias cidades: Barcelona acumulou uma queda de 84%, San Sebastián de 76% e Bilbau de 72% no período comparado.
Diferenças entre cidades e debate político
O encarecimento não foi uniforme. Na habitação para venda, o Idealista calcula em 79% a subida acumulada em Madrid desde junho de 2018; em Valência, os preços mais do que duplicaram, enquanto Málaga, Palma e Alicante se aproximaram de aumentos de 100%. No arrendamento, as subidas acumuladas variam: foram de 52% em Madrid e de 22% em Barcelona, de acordo com a análise.
Os dados são publicados num contexto de campanha em que a habitação ocupa um lugar de destaque no debate político. A Europa Press informou que o Congresso rejeitou, a 2 de outubro, dois decretos do Governo que incluíam medidas sobre despejos, arrendamentos temporários e de quartos, prorrogações de contratos e tributação de habitações vazias e segundas residências. A coincidência entre esse debate e a evolução dos preços não demonstra que uma medida concreta tenha causado os aumentos ou a redução da oferta: os valores do Idealista descrevem alterações do mercado, mas não estabelecem, por si só, as suas causas.
Para as empresas, a combinação de preços mais elevados e menor disponibilidade pode ser relevante na análise da mobilidade dos seus quadros e da capacidade de atrair pessoal para diferentes localidades. No entanto, as médias nacionais não permitem estimar, por si só, o custo da habitação de uma empresa ou dos seus trabalhadores: para isso, são importantes a cidade, o tipo de imóvel e o mercado específico.